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Surto misterioso em prisão causa feridas e sensação de ser devorado vivo


Devido ao surto de uma doença de causa ignorada, 24 presos da Penitenciária Agrícola do Monte Cristo, em Roraima, estão internados no HGR (Hospital Geral de Roraima), em Boa Vista, com feridas pelo corpo e relatos de uma sensação de estarem sendo "comidos vivos". O Ministério Público estadual fala em "infecção por bactéria ainda desconhecida" e pediu interdição parcial da penitenciária. O presídio tem mais de 2.000 presos, segundo o MP, e celas com 15 presos em um espaço de 6 metros quadrados.

O caso mobilizou entidades locais, nacionais e internacionais. Ontem, a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) publicou nota dizendo que estava ciente do problema e cobrou soluções das autoridades brasileiras.

Segundo o representante da comissão de direitos humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Roraima, Hélio Abozaglo, 14 dos 24 afetados estão internados no corredor do HGR, e 10 estão na enfermaria. Ele visitou o hospital na sexta-feira e ouviu relato dos detentos. "Não tenho condições de afirmar se existem mais internos na penitenciária com os mesmos problemas. Temos agendada inspeção para próxima quinta-feira. Aí teremos maiores detalhes", afirmou.

Problemas de higiene

 "Eles relatam que começou com uma coceira. A falta de higiene no presídio é grande. A situação se agrava a cada dia", afirma Maria da Conceição, da Comissão Pastoral Carcerária do estado.

Em postagem em sua rede social, o defensor público responsável pelo caso, Stélio Dener informou que uma vistoria no presídio, na sexta-feira, constatou "um quadro ainda pior". "Vamos tomar providências. Temos fotografias impublicáveis", disse.

Pedido de interdição

No pedido feito à Justiça, o MP quer impedir que novos presos sejam levados ao local. Os promotores ainda querem a intimação dos titulares das secretarias de Justiça e Cidadania e de Saúde para que apresentem, no prazo de 24 horas, um plano de emergência para o isolamento e tratamento dos presos infectados. 

Dentre os problemas da penitenciária estão as fossas sépticas abertas, que espalham dejetos no pátio externo; a falta de kits higiene e a ausência de equipe médica durante período vespertino. O CNDH afirmou que "em visitas anteriores, o órgão já havia apontado que a PAMC não tem a menor condição de funcionamento".

 "Instalações precárias, superlotação, más condições de higiene, baixo acesso a saúde. Depois, do massacre ocorrido lá agora veio essa doença misteriosa", diz Leonardo Pinho, presidente do CNDH. Ele afirma que o conselho planeja uma visita ao presídio até o início da próxima semana. O governo do estado já foi intimado pelo órgão a se manifestar.

             matéria uol.com.br

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